O mercado avança, o consumidor está confiante, as montadoras fazem promoções e os preços estão estáveis há dois anos. Em fevereiro, o mercado de veículos cresceu 10,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com o mercado aquecido não há mais necessidade de manter a redução do IPI para as vendas continuarem. Março deverá ser muito melhor que fevereiro. Essa foi a conclusão da reunião da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), realizada na última quarta-feira (3), em São Paulo (SP).
"Os dados refletem o que a economia está apresentando", disse o presidente da entidade, Sergio Reze. Ele recuou da posição cautelosa que havia tomado no inicio de janeiro, quando declarou que o ideal seria o Governo Federal prorrogar a isenção do IPI, que estimulou a venda de veículos.
No balanço que fez, Reze observou que, aos poucos, o mercado está retornando ao quadro que apresentava antes de setembro de 2008. "O crescimento já está próximo do observado antes da crise", avaliou.
Consumidor privilegiado
Segundo ele, o nível de inadimplência está baixo, ao redor de 4,8%. "No auge da crise, em 2008, a inadimplência chegou a 5,8%", pontuou. O consumidor está sendo privilegiado pela disputa entre as montadoras, que apresentam ofertas para disputar o mercado diuturnamente. "Nesse cenário, não há necessidade de se prorrogar a isenção do IPI." Segundo ele, apenas no final de julho será necessária uma reavaliação do comportamento do mercado, para analisar se será preciso voltar a conversar sobre o assunto.
No caso das motos, o problema continua na análise cadastral, que é necessária para a liberação do crédito. "Defendemos muito o motoboy e sua atividade, o motofrete. Esse público de baixa renda é comprador potencial das motos populares. Os motoboys correm risco de vida para entregar as encomendas, mas seu trabalho é essencial", observou.
"Fomos procurar o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, junto à Abraciclo, associação de fabricantes de motos, e ao Sindimotos, um dos sindicatos da categoria, para pleitear sua intermediação junto à CEF, Caixa Econômica Federal e ao FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, que está sob sua gestão", continuou.
"Nós fizemos nossa parte, o ministro fez a dele, mas a CEF, que tem responsabilidade final pelo emprego dos recursos públicos, está encontrando dificuldades técnicas que garantam o retorno dessa liberação", disse. Ou, como Reze observou, "há boas intenções de todos os lados, mas um banco não é exatamente uma instituição de caridade".
Reze criticou duramente a falta de respeito ao consumidor de veículos, orquestrada pelo Governo, pela Petrobrás, "que não tem concorrentes", pelo setor agro-alcooleiro e pelos postos de combustíveis, que transformaram o programa de incentivo para uso de álcool combustível, há alguns anos, "em um mico para o consumidor, que acreditou no programa e transformou seu carro" e que, depois, "ficou na mão."